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Carlos Coelho

ANO NOVO DE CABRA
  
Ano novo china tâ tem na trás di porta. Unga cifrada tâ chêga. Istunga ano novo qui tâ intra sã ano di cabra. Qui medo. Sã agora qui tudo cabra-cabra lôgo sálta vem fora. Cabra jóvi, cabra-velha cô tudo laia-laia di cabra cô cabrám. Tórna jâ fála àsnera. Má língu fála qui cabrám sã nhum di cabra velha. Contente nunca, oncôm sábi, pódi-ia. Tamém fala qui cabrám sã avô di cabra co cabrito. Divéra galanti. Si avô di cabra sa cabrám, qui fôi avó nunca si chòma cabróna? Vosôtro disculpa pâ iou. Sã sômente pâ vosôtro ri unchinho. Ano novo sã tem qui fica raganhado cô contente. Ano di cavalo tâ vai-ia. Tudo cabra logo vem montado na cavalo qui di contente. Sã logo rámenda acunga canto “Riders in the Sky”. Vosôtro lembra di istunga canto? Yupi-ai-ye, Yupi-ai-ya.....
Na Macau tudo rua-rua cachipiado di genti di terra-china qui nádi pódi ánda. Si tem gente fica toc-toc péga páram “chop-chop”, qui medo. Sã tudo lôgo vira fica minchi. Nancassã bom fála iou pantominéro. Sã logo dámostra vosôtro tudo óla. Iou já tira quanto “photograph” pâ dámostra qui sã verdadi. Tudo dia sã assí. Quelêmodo nosôtro pódi vâi vandi di San-Ma-Lou? Dia nunca começa na porta-cerco nom tem fim di gente faze fila pâ vem Macau compra lête cô pásta-di-dente cô shampô pâ léva vâi casa na terra-china. Tem unga ancuza sã tem qui fála pâ vosotro uví. Tudo nina-nina china qui tâ vem Macau, sã logo vesti qui di janóta. Rópa brilha pâ tudo vanda. Saia curto cô sapado alto qui quasí logo chéga altura di monte guia. Tique-Toque torcê-torcê, pegado nacunga “trolley” sã vai pâ tudo farmácia-farmácia compra cô léva tudo ancuza qui pódi léva. Nancassã sômentu nina-nina. Tudo vélo-véla tamém fazê istunga ancuza. Quelóra óra di côme, tudo lôgo junta na acunga dôis rua qui pódi subi riva vâi greza di Sé pâ cumpra “fish-ball” cô tudo otrunga laia di cumida pâ come. Tudo, si nunca senta na banco di pedra qui tem nalivánda sá logo côi-côi na rua junta rancho chuchu bambu come. Rua fêde qui na máis. Ilôtro fala cherôso. Chêro di sisica cô cáca di quiança-quiança tamém tem. Qui medo. Nunca si pensâ qui nôsso Macau logo ficâ assí chiqui cô galanti. Casino, gente cachipiado na tudo rua-rua, sissica cô cáca pâ tudo vanda. Tem gente fála qui sã bom. Nuncassã bom fála anda di “autobus”. Ataca ânsia. Tudo cachipiado rámenda saridinha na lata. Autobus nuncassã tem janéla. Tudo fichado. Tem genti catiáca fêde, tira pêdo, tossê, achiu-achiu, tudo ancuza tamém tem.

Dia di calor, sã nádi abri “air-conditioner”. Dia di friu sã logo ligâ acunga air-conditioner forti-forti qui tudo pánha “flu”. Sorti Macau sã terra piquinino pódi vagar-vagar anda vâi tudo vanda. Si nunca? Nancassã sábi quelemódo pódi vâi praça cô san-ma-lou trabalha cô compra ancuza. Mais bom sã senta na casa sossêgado.Nádi pánha flu cô nádi uví gente na autobus am-ka-chan pâ tudo vanda cô dáli unga pâ ôtro. Nancassã acredita, vosôtro pódi vem Macau dá unga iscuta. Quelóra vem nuncabom pánha susto cô azinha fugí, péga aviám volta vâi casa. Tudo óra, tudo dia, puliça transito cô acunga apito, apita qui nom tem fim na vanda di san-ma-lou pâ gente passa di BNU pâ BCM. Pâ volta sâ nunca pódi vem di mesmo manéra. Sã tem qui dâ volta pássa na antigo cinema Nam-Van, vâi vanda di Jorge Alvares pâ torna vai avenida. Vossôtro óla sélea boboriça. Tem mais unga ancuza pâ fala pâ vosotro. Istunga ano di cabra prucissám di Sium-Passo sã na nin-chó-sam cô nin-chó-sei. Vosotro fála quelemodo Sium-Passo pódi pássa? Iou nancassã sabi. Bom pâ vosotro tudo unga Kung Hei Fat Choi com tudo laia di sorti-sorti na istunga ano di cabra qui tâ vem.

Sexta-feira Santa em Macau

A celebração da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo é a celebração mais importante da Igreja Católica e a Pedra Angular da Religião Católica.

Pelo pecado original por desobediência a Deus, cometido por Adão e Eva no Paraíso quando, tentados pelo demónio em forma de serpente, foram castigados, expulsos e condenados à morte até que o Messias, Filho de Deus feito Homem, prometido por Deus, resgatasse com a sua própria vida, toda a humanidade e a restituísse à vida eterna no Paraíso Celeste reabrindo as suas portas desde então encerradas.

É na Quaresma que tem o seu início na Quarta-Feira de Cinzas e que nos lembra que somos pó e que em pó tornaremos quando deixarmos esta caminhada para voltarmos ao Pai, que começamos a preparação da Páscoa que culmina com o Domingo de Ramos, lembrando a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém para se cumprir a Sagrada Escritura. É no Domingo de Ramos que dá o início da mais importante celebração da Igreja Católica - “A Morte e Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo”. É nesta semana que, antes do Concílio Vaticano II convocado em Dezembro de 1961 e iniciado em Outubro de 1962 pelo então Papa João XXIII,  e concluído e levado a efeito pelo seu sucessor O Papa Paulo VI em Dezembro de 1965, todas as Imagens das Igrejas de todo o mundo eram tapadas e cobertas com pano roxo para lembrar a “Semana da Paixão e Morte de Jesus Cristo”. Foi com a entrada em vigor das Regras instituídas pelo Concílio Vaticano II que a Igreja se abriu enfrentando as mudanças da modernização do mundo.

Quaresma, tempo de Penitência, Meditação e preparação para a Páscoa.

Em Macau o primeiro Domingo de Quaresma é marcado e celebrado com uma grande procissão. A “Procissão de Nosso Senhor dos Passos” que é uma Via-Sacra  com sete estações, percorrendo por diversas ruas da cidade. Esta devoção e Procissão foi sempre e continua a ser muito querida e vivida pelos Macaenses.

No Antigo Testamento, Moisés celebrou a primeira Páscoa com o seu Povo Israelita. Transmitiu-lhes o que Deus lhe ordenou que fizesse na terra do Egipto: “Este mês será para vós o princípio dos meses; fareis dele o primeiro mês do ano. Falai a toda a comunidade de Israel e dizei-lhe: No dia dez deste mês, procure cada qual um cordeiro por família, uma rês por cada casa. Se a família for pequena demais para comer um cordeiro, junte-se ao vizinho mais próximo, segundo o número de pessoas, tendo em conta o que cada um pode comer. Tomareis um animal sem defeito, macho e de um ano de idade. Podeis escolher um cordeiro ou cabrito. Deveis conservá-lo até ao dia catorze desse mês. Então, toda a assembleia da comunidade de Israel o imolará ao cair da tarde. Recolherão depois o sangue, que será espalhado nos dois umbrais e na padieira da porta das casas em que o comerem. E comerão a carne nessa mesma noite; comê-la-ão assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. Quando o comerdes, tereis os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. Comereis a toda a pressa: É a Páscoa do Senhor. Nessa mesma noite, passarei pela terra do Egipto e hei-de ferir de morte, na terra do Egipto, todos os primogénitos, desde os homens até aos animais. Assim exercerei a minha justiça contra os deuses do Egipto. Eu, o Senhor. O sangue será para vós um sinal, nas casas em que estiverdes: ao ver o sangue, passarei adiante e não sereis atingidos pelo flagelo exterminador, quando Eu ferir a terra do Egipto. Essse dia será para vós uma data memorável, que haveis de celebrar com uma festa em honra do Senhor. Festejá-lo-eis de geração em geração, como instituíção perpétua”. (do Livro do Êxodo)

Assim se cumpriu e assim aconteceu. O Povo de Israel é assim libertado da escravidão do Egipto. Comandado e liderado por Moisés realiza-se o Êxodo que é a saída do Povo Israelita do Egipto. Por terem duvidado da promessa feita por Deus pensando que Deus os tivesse abandonado quando Moisés subiu ao Monte Sinal para receber os Dez Mandamentos da Lei de Deus, foram castigados e caminharam errantes no deserto, durante quarenta anos até que chegassem a Canaan (actualmente a Palestina), a Terra Prometida e por Deus a esse povo.

No Novo Testamento, durante quarenta dias, Jesus afastou-se dos seus discípulos e retirou-se para o deserto. Jejuou e foi tentado por três vezes pelo demónio que Lhe apareceu. À primeira Jesus disse: Está escrito: “Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. À segunda disse: Também está escrito: “Não tentarás o Senhor teu Deus” e à terceira disse “Vai-te Satanás, porque está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto”. Então Satanás deixou-O.

É neste período de quarenta dias da Quaresma que a Igreja Católica se prepara para a celebração da nova Páscoa com a Paixão e Morte de Jesus. Na Quinta-Feira Santa a Igreja celebra a Missa Vespertina da Ceia do Senhor. (Ínicio do Tríduo Pascal).

Em Macau, por tradição, após essa Missa Vespertina da Ceia do Senhor na Sé Catedral e em algumas outras igrejas, é transladado o Santíssimo para a Capela do Santíssimo Sacramento existente numa das laterais laterais existente da Igreja (na Sé Catedral é onde está o enorme vitral de Cristo-Rei), para exposição e adoração dos fiéis que nessa noite visitam as Igrejas (na língu-máquista nosotrô fála: “corrê greza”). Mesmo após a transição, esta tradição continua e é muito concorrida e seguida não só pelos macaenses, como também pelos chineses e de todos os católicos que residem em Macau.

Na Sexta-Feira Santa, único dia em que a Igreja Católica não celebra a Eucarístia mas sim a Morte e Paixão de Jesus, em Macau as cerimónias têm início às 16 horas na Sé Catedral. A Igreja vazia e despida de todos ornamentos (velas e flores nos altares) lembra e celebra assim a Morte de Jesus em três partes distintas: a Leitura da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo; a Adoração da Cruz (ponto mais alto da celebração) e a Comunhão do Corpo e Sangue de Jesus consagrado na Missa da Última Ceia no dia anterior (Quinta-Feira Santa).

Texto de Carlos Coelho
Fotos: Cortesia de Áurea Pinheiro e José O Ferreira

O Enterro do Senhor

Concluída as três partes da celebração, é preparado o Enterro do Senhor.




O “Esquife” no qual se encontra a imagem do Senhor-Morto é trazido e colocado no centro da Igreja e acompanhado unicamente pela Imagem de Nossa Senhora das Dores e não como antigamente, acompanhado por mais duas imagens: a de Apóstolo S. João e a de Maria Madalena. Espera-se que, em tempo oportuno, de acordo com a tradição, a cena retratada no Calvário possa ser revivida e trazida de volta como nos tempos de outrora, em Macau, na Sexta-Feira Santa, no Enterro do Senhor.


Cerca das 17:30 horas, dá-se o início do Enterro. Da Sé Catedral acompanhado ao ritmo de música-sacra entoado pela Banda da Polícia de Macau, o cortejo acompanhado pelos participantes geralmente vestidos de cor escura ou preta, segue silenciosamente em direcção à Rua da Sé, Travessa do Roquete, Largo do Leal Senado, Largo de S. Domingos, Rua de S. Domingos e regressa à Sé Catedral subindo pela Travessa do Bispo. Após à chegada na Sé Catedral, a imagem do Senhor-Morto é incensada e então colocada no Sepulcro localizado debaixo do altar da capela lateral existente defronte à de Cristo-Rei. Por cima do altar do sepulcro encontra-se a Imagem de São João Baptista, Padroeiro da Cidade de Macau.

Alguns pequenos pormenores para informação:

Esta manifestação pública de Fé é a única que não se chama procissão mas sim “Enterro do Senhor”.
É levado um “Esquife” adornado de preto no qual se encontra a Imagem do Senhor Morto (datado do século XIX), coberto com um Pálio de Cor Preta , e não um “andor” ornamentado de flores com uma Imagem.


O início do cortejo (fúnebre, assim se pode chamar por se tratar do “Enterro do Senhor”) é liderado por Estandartes e uma Cruz com uma toalha manchada de Sangue que representa o pano com que limparam o Corpo de Jesus quando O desceram da Cruz, todos inclinados para o lado esquerdo (Sinal de Luto) e não erguidos e direitos como em todas as procissões.




Texto de Carlos Coelho
Fotos: Cortesia de Fátima Santos e José O Ferreira

Qui sábi si bom ri, si bom chôra - 1ª parte

Tanto genti di terra-China tudo dia, tudo óra vem Macau. Macau assí pichóte, terra-piquinino qui na máis, quelêmodo pódi bóta tanto genti qui tâ vem visitâ cô fazê cómpra. Quelóra sol nunca subi riva di céo tanto gente tâ ispéra pássa “porta-cerco” pâ vem-ia. Na ládo di China na acunga práca diánti di nôsso porta-cerco, prâmicedo tanto genti fazê fila tâ ispéra vem-ia. Na nôsso lado, tamém tanto genti vai terra-China. Sete óra abri porta-cerco tudo cachipiado di genti qui ta vâi comprá “sông” cô “iam-chá”. Fála qui nacunga lado di China tudo ancuza máis barato. Intrementes divéra tem tanto genti qui tâ fica na terra-China. Si vida sã máis barato iou nancassã sábi si sã nunca. Certo, na Macau tudo ancuza cáro di morrê. Vida caro qui fálta unchino nádi pódi vivo na istunga terra. Genti di fóra qui ta visita sã lôgo pensa qui tudo genti qui tâ vivo na Macau divéra vida filiz. Sápeca qui intra na tudo casino-casino pódi afuga tudo genti. Governo qui di sabroso recebê tudo taxa-taxa qui ilôtro tem qui pága. Sapéca qui ta inchido na cofre di governo sâ tanto, qui nancassã sábi quelêmodo gásta. Contrário di colónia vizinho qui fála nancassã tem sapéca, tudo óra cô tudo dia, tem gente sâi vâi rua goéla, fazê um cento di fita rámenda entrudo na tempo di carnaval. Tudo qui chapa juntado sã goéla qui nancassã tem fim. Gritaria pâ tudo vánda. Fazê boboriça qui nôm tem fim., Medo genti cunhêce, pâ caba nádi fica cholido, sã bóta dominó iscondê cára. Divéra chisti. Quêre fazê, querê medo. Na mês passado jâ acontece unga céna na istunga colónia vizinho qui fazê tanto genti réva cô  ri cacada di morrê cô istripâ. Vosôtro fála si nunca sã galánti. Tudo dia tanto genti léva cachoro vâi rua sissíca cô fazê cócó nunca sã tem genti tira foto bóta na “internet” pa tudo genti pódi óla. Quelóra anôte iscuro, nunca óla benfêto unde chuchu pé, sã lôgo fica lamiado di cáca di cachoro. Lôgo dâ cô quanto ásnera pâ quim jâ fazê seléa ancuza mâs nádi fazê nada. Sómente azinha limpa sapato pâ nádi léva cáca vâi casa na máis. Sã nádi bóta foto na istunga istória qui intrementes uidi  moda bóta. Comê ancuza tamém tirâ unga foto pâ bóta. Compra ancuza tamém bóta. Tudo ancuza bóta. Qui chisti. Qui sábi unga dia si sentado na cácuz lôgo tira unga foto bóta nunca. Qui sábi si jâ tem genti jâ bóta sômente nosôtro nuncassã óla benfêto. Déssa vai-ia. Sâ móda fazê istunga ancuza. Genti antigo chôma tudo istunga genti “chuchuméca”. Intrementes cô istunga istória di bóta cô fála tudo ancuza na internet chuchuméca tamém jâ virâ fica genti qui sábi tanto istória qui tâ querê fála tanto ancuza para tudo genti sábi cuza ta sucedê na istunga mundo fóra. Divéra chisti. Chuchuméca virâ fica tiro-grandi “VIP” qui sábi tudo ancuza. Bom nádi fála di istunga ancuza-ia. Déssa cába fála istunga istória qui jâ acuntece na istunga antigo colónia vizinho.

Qui sábi si bom ri, si bom chôra - 2ª parte

Tem unga “family” china, pápi, mámi cô unga filo pêdo-di-adám jâ vâi Hongkong fazê shopping-shopping. Qui sábi si sâ cumpra lête “or” cumprâ ancuza pâ bánha cô iscôva dente, pâ nunca si fála cifra-dente. Cumprâ qui cuza tamém bom-ia. Pramicêdo tâ chéga na Hongkong medo fica na fila ispéra quanto óra pâ pódi intra. Ispéra di istunga manéra, quim nancassã lôgo fica perna azêdo cô dói patinga? Cáva intra sã nádi pára di váre-rua. Vâi pánha “metro” tamém nancassã tem pâ senta. Tudo vánda cachipiado di genti qui nom tem fim. Intrâ sâi di tudo laia-laia di lója pâ rábia ancuza qui pódi achâ pâ cumprâ pâ léva vâi su casa na terra-china. Puxa acunga qui sábi si sã mala ô sã qui cuza pâ bóta dentro tudo ancuza qui cumprâ, corrê pâ tudo vánda rámenda galinha-dôda. Quim nádi fica pérna-azêdo? Superman cô wonder-woman tamém lôgo puxa bafado. Nunca bom fála quiânça-ia. Nunca bom fála tem fómi cô sêde-ia. Certo tem qui fazê sissíca cô cócó. Unde tem tanto WC pa tudo istunga genti vâi? Certo quiânça sã nádi ispéra. Gente criscido sã pódi aguénta unchinho ispéra rónça pâ tudo vánda pâ incontrâ unga “Public WC”. Na Macau tamém tâ acuntecê istunga istória. Querê sábi bênfeto sá vai acunga cása-di-banho na lado di corrêo pódi entendê-ia. Fazê fila pâ sissica cô cága. Tem gente qui nunca pódi aguenta sá tem qui côi-côi na unga canto di porta pâ fazê-ia. Qui susto. Si mal di barriga unga cifrada lôgo sai como águ di fonti di práça di Senado. Aia, vosôtro disculpa, sinti qui jâ fica unchinho máligu fáli di istunga manéra. Si sâ verdadi cuza málingu nádi fála? Verdádi certo sá tem qui cónta. Tudo dia, tudo óra céna qui tâ pássa na tudo rua-rua di Macau cô colónia vizinho, si cónta vosôtro nádi acredita. Máis bom quelóra vosôtro tem tempo oncôm vem cô vâi rábia bênfeto. Ancuza qui iou ta iscrevê nunca sã pantominice, sá tudo verdádi qui tâ acuntêce. Bom, tórna tâ “pull” unchinho cumprido istunga istória qui tâ querê conta. Acunga quiança jâ sinti vóntadi fazê sissica certo tem qui fazê. Mámi azinha côi-côi ele, na rua di Hongkong, bóta unga fralda pâ nádi mulha rua, déssa quiânça sissica. Tem gente mapeçoso qui tâ pássa perto, jâ rábia pâ cuza tâ sucedê. Unga cifrada péga na oncôm sã “cell-phone” azinha “click” jâ tira foto di quiâncã sissica na rua. Cába péga na su cell-phone azinha fazê “magic” na foto qui jâ tirâ pâ nunca si pódi óla fralda, rámenda quiança tâ fazê sissica mulhâ rua di Hongkong. Pâ préga mápeça azinha bóta na “internet” pâ tudo genti pódi óla. Divéra mápeçoso. Sómente pâ dámostra qui tudo genti di terra-china nunca tem manéra, nunca sã sábi pórta. Tem genti qui sã assí. Sã verdadi qui tem. Mâs tamém tem genti qui sábi manéra cô tem educaçám. Tem tanto qui sábi pórta máis benfêto qui tanto genti di oncôm sâ terra. Nuncassã? Na tudo naçám tamém tem tudo laia-laia di istunga genti. Fála verdadi, nancassã sômente genti di térra-china qui sã assí. Bom, cába istunga foto sâi na internet, genti di terra-china qui jâ rábia pâ istunga istória nuncassã gósta. Unga cifrada, cápi-cápi ôlo senti sángui subi riva di cabéca, geniado rámenda liám di tudo fita di MGM abri bóca rugí di furia. Azinha bóta na “page di internet” chôma tudo “comrade” na dia um dia Maio, dia di tudo “worker” di mundo, vâi antigo colónia vizinho, tudo juntado sissíca cô cága na tudo rua cô vánda di istunga colónia. Genti di acunga colónia susto qui na máis. Câi pé-mám qui sábi cuza lôgo fazê si verdadi lôgo sucedê istunga istória. Vosôtro pódi “imagine” quelêmodo lôgo fica acunga city qui tudo óra “claim to be” janóta rámena unga “shiny-pearl” qui fica na cu-di-judas di istunga vánda qui chôma “pearl-delta river”? Fedôr di chêro di “Soir di Paris” qui lôgo lévanta, lôgo fazê tudo genti istôntea, vángueâ, cabéça ficâ vantu, si nunca câi morto. Sômente pénsa nacungâ fedôr tâ querê vumitâ-ia. Querê bulí cô jambo sã logo lévanta fedôr. Divéra susto. Máis bom sã sossêga nádi bulí cô jambo. Sorti pâ antigo colónia vizinho seléa istória nancassã sucêde. Qui rámede. Aia, sossêga-ia! No mêste vâi antigo colónia vizinho. Na Macau, na vanda di san-má-lou, tamém sá pódi bispâ pâ istunga boboriça di ancuza. Tudo óra nôm tem fim di cachipiado di genti. Somente nuncassã sábi cuza lôgo sucede si unga dia acuntecê “chop-chop” como na tanto istaçám di comboio di terra-china. Cô tanto genti cachipiado, chipido qui na máis na rua, querê azinha bóta fugí tamém nancassã pódi. Sã lôgo ficâ “chop-chop” rámenda bife-pó-bolacho. Iou sã nádi vâi várre-rua na istunga vánda di san-má-lou. Sómente óla tâ subi pressãm azinha lôgo pánha “stroke” cáva fica bóca-torto cô pé-mám cáng-cáng, rámenda genti antigo fála jâ ficâ savanado cô pánha vento-sujô. Vosôtro fála nancassã? Istunga istória di pánha sávan, divéra chisti cô gálanti. Na tempo antigo, quelóra tánto família máquista na vanda trás di quintal tem unga curúm pâ criâ galo, cápam, galinha, cô tudo laia-laia di pastro-pastro, si rábia tem unga pastro murúm-múrum azinha lôgo máta pâ côme, pâ nádi pánha sávan. Intrementes tudo “doctor-doctor” fála sâ “bird-flu”, nancassã sã sávan. Aia, vai-na! Istunga istória boboriça qui na máis. Quelêmodo pastro-pastro pódi pánha “flu”. Ilôtro tem tanto pena na corpo pâ nádi tem frio. Intrementes tem tanto genti quelóra tempo frio na inverno sã tamém lôgo bóta casaco cô pêlo-pêlo rámenda avestruz, pâ nunca tem friu, quelêmodo pódi bird pánha “flu”? Trávessa porta-cerco, vai vizinho terra-china sã tem tanto pâ cumprâ. Baráto cô bunito qui na máis. Tudo cor qui querê tamém tem. Divéra galánti istunga inventaçám fála tudo “bird” cô “birdy” ficâ cô gripi. “Temperature” na mundo azinha tâ subi, unga ano máis quente qui ôtro, unde tem tanto frio pâ pánha? Na ano novo china di istunga ano qui jâ pássa, tempo quente qui na máis. “Temperature” jâ subi pâ “26 degree celcius” quelêmodo pódi pánha friu? Qui sábi acunga qui jâ inventâ istunga istória, oncôm sâ birdy câi tudo pêlo jâ pánha friu, tudo óra achiu-achiu na máis. Aia, vosôtro discupâ pâ iou. Já tórna iscrevê boboriça pâ vosôtro ri unchinho. Déssa vai-ia, vida sã assí-ia. Qui cuza lôgo pódi fazê? Sénta churâ? Carnaval tudo dia tâ tem na rua. Puxâ “mala-troley”, subi rivâ, vâi gudám di “avenida ribéro”. Na frente di farmácia na vanda di Leal Senado, tanto genti chipido cachipiado qui nôm tem fim. Si nancassã sentado na chãm, sã lôgo fica côi-côi di rua, abri mala bóta dentro tudo laia-laia qui tâ cumprâ. Saco-saco cô cáxa-cáxa vazio sã déta fóra na rua ispéra genti pánha vâi vendê gánha unchinho sapéca. Nancassã bom fála sã tem qui rámenda circo ánda zig-zag na rua pá nádi chu-chu onçôm cô genti qui pássa. Si nunca cuidado, logo pánha “fleuma” na cara, di gente cuspi cô tudo fórça qui têm. Na vanda di pánha autobus sã óla genti cachipiado cô saco-saco di bulacho-china qui intremente fála sâ  cumizaina di Macau. Quelóra autobus chéga unga chôle pâ ôtro pâ subi riva di “bus”. Quim tâ vivo naquivánda sã tudo dia, tudo óra óla pâ tudo istunga “carnival” qui fazê nosso terra divéra cunhecido na tudo mundo. Di cunhecido qui fica, quim nancassã si cunhêce istunga terra? Verdadi qui sábi si bom ri, si bom chôra?

Autor: Carlos Coelho

Macau galánti

Justo caba ano novo china. Serpente jâ virâ vâi, cavalo azinha vêm. Na istunga ano di cavalo qui justo caba vem, tempo rámenda Verám, divéra quente. Sol forti qui fazê tem'pratura chêga 26 grau. Galanti qui na máis. Nuncassã lembra qui na tempo antigo tem seléa boboriça di tempo. Tem'pratura azinha-azinha subi qui fazer tudo gente nom tem tempo dispi pâ bóta rópa di verám. Cápi-cápi olô acunga tem'pratura azinha câi vem gudám qui fazê tudo gente tremê di frio qui morrê. Di verám unga cifrada vira inverno. Di 26 grau cápi olô cai pâ 4.8 grau. Passado unga semana azinha subi riva fica 24 grau. Qui medo. Senti qui fim di mundo tâ quase vem-ia. Nuncassã sabi cuza máis logô sucedê. Na tudo médico cô hospital cachipiado di gente óla dôtor. Achiu-Achiu pâ tudo vanda. Dôtor qui di contente. Sapeca nom tem fim di entra. Nunca uví benfêto cuza tem, azinha fála sã “cam-mou” gripi. Fazê tudo gente qui medo. Telivisám tudo óra fála “gripi di galinha” tudo medo pánha istunga istória. Na terra vizinho jâ mánda chôle tudo galinha cô galo. Na cantám tamém jâ máta tudo. Na nosôtro sã Macau fála nádi medo. Galinha forti-forti nunca panha “flu” virá sávan. Tudo genti raganhado fála qui bom na ano novo tem galinha fresco comê cô báte-cabêça. Na terra vizinho tudo gente bêsso puxado, geniado qui na máis fála tem qui comê gálinha gelado. Báte-cabêça tamém nuncassã tem galinha fresco. Fála galinha congelado nuncassã tem sabor, carni duro cô aspro qui dente nunca pódi másga benfêto. Qui ramêde. Unga lado fála bird-flu ôtro lado fála qui sa culpa di terra-china qui jâ mánda galinha savanado cô bicho-bicho di H9N7 vâi ilôtro sã terra. Tudo galinhéro réva qui na máis, mánda camiám cárta tudo curúm di galinha-galinha vâi casa di sium-chefe sa porta pâ fica na méo di rua. Tudo carreta-carreta pára nom tem fim di pó-pó-pó. Puliça-puliça bóta mám na cabêça nuncassã sábi cuza faze. Unga grita pâ istunga vánda, otrunga mánda ráfundi vâi ôtro vanda. Tudo ásnera grandi-grandi sâi di bóca di galinhéro pâ mánda lembrança pâ tudo gente sã mâi cô pâi, cô tudo família. Qui di consumido! Entrementes, na Macau tudo gente contente raganhado, cifra dente rufa galinha fresco. Chácha tamém tem dente másga benfêto. Fála sabroso, carni di galinha fresco nunca aspro cô duro. Qui chiste. Istunga istória iou nunca entende benfêto. Vosôtro qui tâ vivo na otro terra, têm galinha fresco comê. Senti qui tudo gente sã vai “super-market” compra galinha gelado. Sã nunca? Unde tem gente vâi praça compra sôm? Tudo carne-carne gelado cô duro qui na máis, quelóra compra tamém sã leva vai casa bóta na gelador guarda, ispéra tem tempo prepára pâ comê.
Tempo divéra azinha pássa. Unga cifrada tudo festa-festa jâ cába, jâ pássa. Cápi-cápi olô carnaval tamém jâ pássa ramáta.
Fála di tempo di carnaval sâ lôgo sábi qui novena di “Sinhôr Bom Jesus di Passos” tâ corrê na Gréza di Santo Agostinho, prucissám di Sinhôr azinha tâ sai vem rua-ia. Tanto gente sã logo subi riva fazê novena. Caba novena Prucissám sâ vem-ia. Tanto gente na anôte di sábado, lôgo subi riva vai Gréza di Santo Agostinho pronto pâ companhã “Sinhôr” vai Sé fica unga nôte pâ na Domingo sâi di Sé pâ dámostra qui Quaresma comêça~ia. Banda di Musiquéro di Puliça sã convidado pâ bóta musica “Pó-Pó-Pó” fazê prucissám cô ocasiám mais janóta. Nunca sete óra sã ispéra na porta di gréza ispéra pâ junta na prucissám. Na dentro di gráza quelóra bate sete hora sino logo tóca. Sium Padri cô tudo irmám-irmám vestido di roxo, cara sério-sério cô cándia sandido na mám, vagar-vagar sâi di sacristia fazê filâ na meio di gréza pronto pâ sâi prucissám. Istandarte-Istandarte sã lôgo andâ priméro. Fumo di Incenso, chêroso qui na-máis, sá pódi chéra na tudo vánda. Sium Pádri vâi diante di “Sinhôr” réza oraçám pâ começa prucissám. Caba reza cô su latinórum azinha cánta “Parce-Domine, Parce Populo tuo..... Caba cánta “Parce”, tudo azinha joêlha báxa cabéca cánta “Miser”cordia” batê-pêto pédi “Sinhôr” perdám pâ tudo su pecádo. Forti-forti goela trêz vez “Sinhôr Dios Miser”córdia”. Cába canta tudo silêncio-silêncio óla ficha “caia” di andor, sâi prucissám. Acunga sino di gréza “tong-tong-tong” vagar-vagar tóca pâ fazê genti sábi qui “Sinhôr” tâ sái-ia. Divéra sã como na otrunga tempo gente fála “Tóca sino-grandi”. Istunga prucissám sã divéra respetoso. Quelóra “Senhor” pássa, tudo gente sã báixa cabéça, joêlha óla chám. Quim lôgo astrêve rábia pâ “Sinhôr” qui tâ pássa? Nuncassã rámenda intrementes tudo bota fotografia óla cô fála “Huá, mat-ié lei-ká? Ni có, hâi ping-có-ah? Cui tei chô mat-ié ah? Tim-kai cui-tei io guai ah? Hou-hou tâi ah!” Pensã sá parada di carnaval qui Macau na istunga tempo tâ fazê pâ turista qui vem istunga terra tem pâ óla. Livro cô fólia-fólia di turismo tamém dámostra istunga prucissãm. Quelêmodo nuncassã tem tanto gente vem di terra-China pâ óla. Istunga istória qui intrementes tâ cónta sã sômente prucissám di anôte. Nuncassã bom fála di prucissám di domingo qui tem “Verónica” pinta-dôr cánta pâ tudo genti óla quelêmodo Sinhôr Jesus jâ sofrê pr'âmor di nosôtro tudo. Senti qui ilôtro pénsa qui tâ cánta auto-china na rua fazê parada “tái-hei”. Qui ramêde. Via-sacra virâ ficâ teatro di rua.
Na tempo antigo istunga prucissám sã dêsce rua “central” pássa avenida pâ subi “roquete” vâi Sé. Intrementes sã dêsce Gamboa. Ilôtro fála: “Icá, Ou Mun hou tó pót-pót ché”, máis bom assí. Préssa-préssa, “fái-ti, fái-ti háng” córta Leal Senado intrâ vai dentro di Largo sã nádi fazê tudo carréta-carréta parádo ispéra. Paciénçia! Tempo mudá sã assí-ia. Prucissãm vira fica parada, tem musicata di banda “fi-fó” tóca, qui sabroso vê. Tudo genti raganhádo na rua óla cô tirâ foto pâ quelóra vólta vâi cása na terra-China dámostra pâ tudo su família cô amigo-amigo fála: “Ou Mun hou-tó ié t'âi, hou-hou t'âi!”. Qui mufinaze. Unga prucissám assí respetádo di tudo máquista jâ virâ fica “parade”. Pénsa benfêto, divéra galánti. Qui sábi qui cuza máis lôgo virá ficâ?
Vâi istunga prucissám sã tem qui vesti janóta. Gente raspiáti sã usá rópa-lám. Tudo Sium-Sium sã bóta terno, chique-chique dámostra qui sã “big-shot”. Ánda drêto perto di su Siára-Siára vestido cô casaco di pêlo-pêlo cô chapéu. Nina-nina sã tem qui bóta véu cubri tudum. Si nuncâ assí, quelêmodo pódi dámostra qui sã gente fino di socidade, qui nunca sã genti cachi-vachi. Si nunca vestido benféto logo azinha fála nôm-tem respéto! Nôm-tem manéra! Quelêmodo astrêve vem prucissãm assí grándi, assí respêtado di “Sinhôr”, vestido di istunga figura rámenda póbri-póbri di rua? Sã divéra nôm-tem vérgonha na cara. Cuza pódi fazê? Gente cachi-vachi sã assí-ia. Pâ fazê figura triste sã máis bom fica na casa. Istunga laia di gente na prucissám nanca bom vem na trás di “Sinhôr” chápa perto di nosôtro. Ánda na vanda trás benfêto-ia. Na frente perto di andor sã pâ nosôtro gente di socidade, gente qui tem manéra. Nuncassã pâ gente cachi-vachi.
Intrementes tempo jâ muda. Tudo ancuza jâ virá. Vai tudo vánda, bóta tudo ancuza tamém pódi-ia. Senti qui unga dia si sã móda, lôgo bóta pispóti na cabéça fica chapéu pâ cubri tudum. Qui galante! Unde jâ vâi tudo acunga bom manéra di gente antigo. Gente cô manéra, gente qui sábi réspeta ocasiám. Intrementes vâi rua, sómente lôgo óla tudo gente chuchu dedo nacunga “cellphone”. Vâi pâ tudo vanda tamém sã óla istunga ancuza. Sénta “autobus” tamém sâ óla istunga fita di chuchu-dedo na telefón. Sentádo, impido, cachipiado na autobus. Si nunca chuchu-dedo sã “talk-talk-talk” na língu qui nosôtro nunca entendê. Qui ânsia !

Macau, terra di nuvidade !!!

Dia di Luís Cacâi cô tudo-tudo ngausocáda qui vivo na istunga térra, vai pâ acunga jardim pâ lémbra istunga cacâi qui istória conta jâ vem macau fica cô iscrevê acunga mufino di livro Lusiada qui fâze nosôtro virâ cabéca ficâ vántu na tempo di iscóla, cô Fésta di catupá cô tudo corrida di barco-drágam jâ pássa-ia. Tong-tong-tong cô tudo su barulhéra jâ vâi-ia.
Intrementes justo jâ comêça acunga concurso di “pau-cheong” qui pódi vôa rivâ vai céu cô quelóra rábenta fazê céu inchido qui na máis di fula-fula di luz rámenda istrêla cai vem gudám. Tánto genti vem nosso Macau óla istunga ancuza. Tudo abri bóca fála - Uá, hou~liang ah! Pum-pum-pum pâ dôis óra na anôte di sábado, iou tâ fála “hou-liang”. Máis bom sã pum-pum-pum na acunga rábiósqui di ilôtro pâ déssa nosôtro tudo sossêgado. Istunga istória divéra non-tem chiste cô buricido na máis. Pacéncia, ilôtro tem sapéca nuncassã sábi quelêmodo gásta sã fazê um cento di bobôrica na máis. Ah, tem unga ancuza qui certo vosôtro nunca si uvi. Fála qui logô “organize” passéo pâ tudo genti qui vem Macao ánda vai tudo canto-canto rábia pâ cunhêce nosso térra. Istunga pásseo nuncassã tem carreta grandi-grandi quelóra ánda sâi fumo preto na rábo qui fazê tudo genti nuncassã pódi réspira cô tôsse qui na mais. Pénsa benfêto, istunga istória nuncassã mau. Senti nôsso Macau lôgo fica cô “purified-air” rãmenda terra di pâi-Ádam cubérto di tudo fula-pêdo qui lôgo crêsce, pâ tudo genti chêra su chêro. Nomestê acunga chêro di tudo ilôtro sã catiáca pâ perfuma tudo vánda qui ilôtro vâi cô pássa. Cô tánto genti qui tudo dia vem Macau pâ óla acunga san-chi-pai impido qui chôma “Pái-fong” nosôtro nuncassã pódi vâi rua. Tudo vánda inchido cô cachipiado di ilôtro. Na vanda di san-má-lou perto di nôsso corrêo, tudo genti fazê fila ispéra. Quim nunca sábi, lôgo pénsa qui tem lója vende cáta-cuti qui tudo génti quêre cumprâ. Sôssega. Sã fazê fila vâi sissica. Tem gente qui di ânsia qui lôgo abri perna, côi-côi na chám fazê-ia. Cuza pódi fazê? Lady-sissíca cô Dom-cáca sã nádi ispéra. Quelóra querê vem, sã lôgo vem. Sã nádi perdê tempo pâ vagar-vagar ispéra nâ fila cô um-cento di gente na diante. Mais bôm, sã nádi pássa nacunga vánda pâ nádi chêra “perfume” di fula-pêdo. Divéra susto. Fêde qui lôgo virâ istômago pâ vomita. Ah, mâs ilôtro fála “mou-man-tâi”, fêde siu-siu mou-man-tâi”. Coitado sâ acunga ah-sam di limpa cacuz. Rismunga cô boquiza qui di tanto pálavram pâ ilôtro tudo. Cára tamém fica marilo rámenda cásca di jámbua.

Fála di jámbua, azinha sã lôgo vem festa di bolo bate-pau. Istunga fésta nuncassã rámenda festa na tempo antigo cô tudo quiânça-quiânça na rua contente corrê cô brinca lampiám. Bolo bate-pau tamém vira fica ice-cream. Fála ancuza moderno sã assi-ia. Divéra boboriça. Acunga casa di vendê “ice-cream” qui chôma Haggen-daz tamém tem bolo bate-pau vendê. Fazê ice-cream rámenda “ut-péng” fála sã bolo bate-pau. Qui sábi si unga dia na ano-novo-china lôgo tem churiço-china di ice-cream pâ tudo péga chupâ nunca? Senti qui chiste si tem istunga istória. Tudo genti na rua sabroso chupa churiço-china di ice-cream fála “hou-mei, hou-mei, chan hou-sêk!” Aia, disculpâ pâ iou. Tórna málingua qui di tanto cô vosôtro. Vosôtro sábi-ia, tánto tempo nuncassã vem aqui vánda bispâ pâ vosôtro, certo tem tanto ancuza cô boboriça contâ pâ vosôtro ri cacáda unchinho. Sã assi-ia. Otro dia tórna pápia máis pâ vosôtro máta saudádi di nossô língu máquista. Lémbrança pâ tudo genti cô Chông-chau-chit fái-lok. Happy Festival!!!

Carlos Coelho

Ano Novo China

     Natal jâ pássa jâ cáva-ia. Tudo árvori di natal cô su bola-bola, luz cápi-cápi azinha jâ arruma jâ tornâ vâi baú. Tudo furia di arrumaçám di Natal tamém jâ cáva. Cake, impada, coscurám, farti, alua, bicho-bicho tamém jâ rufâ tudo-ia. Pisunto-china bafado, tacho, cô tudo laia-laia di cumizaina tamém jâ cáva. Qui susto. Comê tacho qui ravirá. Tem genti na casa sã virâ tudo cumizaina juntado fazê “diabo” comê. Ferra benfêto alho, cebola, cebola-India, cô tomati, coze batata, cáva junta vaca-estufado, porco bafâ-ássa, caril di galinha, galinha assado, lombo bifi-pó-bulachô, perna di carnêro assado, piru, cô tudo laia-laia di carni qui jâ restâ di festânça di Natal, vai loja-china comprâ chá-siu, siu-ok, siu-ap, bóta sun-mui-cheong, quio-tau virâ fazê diabo. Quási pronto, bóta pó di kai-lat china misturado cô vinagri. Juntâ unga copo di vinho-porto (genti-rico) ôu vinho-branco (genti-pobri),apága fugám, vira benfêto, pódi-ia. Logô tem diabo pâ come pâ quanto dia.
      Tempo azinha pássa sã lôgo vem Ano Novo China. Na istunga ano sâ lôgo câi na dia 10 di Feverêro. Sã ano di cobra. Na istunga festa di quebra-testa tudo china-china lôgo compra qui di tanto ancuza pâ pássa ano. China-rico lôgo comprá tudo cáta-cuti novo-novo. Si tem sapéca, casa novo tamém lôgo compra. Si nunca sâ lôgo contentâ cô laia-laia qui tem. Ah, mâs tem qui compra fula-fula bóta na casa. Quáchi, linchi cô tanto ancuza dóci-dóci pâ adóça bóca sá nádi falta. Fála lôgo dâ sorti. Bóca dóci sã nádi fála babusêra. Lôgo cóla papel vermelho pâ tudo casa. Cacuz cô cuzinha tamém tem. Tangerina nádi pódi fálta. Si sã china-rico lôgo inchi lai-si cô tanto sapéca pâ dâ. Si nunca sã rico, lôgo dâ lai-si piquinino. Quelóra recebe lai-si grandi-grandi sã lôgo fica raganhádo qui na máis. Si lai-si sã piquinino logo puxa bêsso cô boca fino-fino lôgo fála genti raspiáti, genti mám-dianti mám-trás, misco qui na máis. Na tempo antigo tudo vánda lôgo uvi quimá pau-cheong qui lôgo pánha susto di morrê. Intrementes nádi pódi quimâ pau-cheong na dentro di cidadi. Sã tem qui vâi vánda qui pódi quimá. Si nunca, lôgo pánha multa pága qui di tanto sapéca. Qui di boboriça, nunca si uvi tem genti qui jâ pága multa. Na mêo di anôte si pénsa quimá sá logo quimá. Fazê tudo genti pánha susto, quasi salta di cama. Chôma púliça vem tamém nádi medo. Quelóra ilôtro vem jâ cáva quimâ-ia. Unde lôgo medo. Máis medo sã ánda na rua déssa ilôtro chuchu non sábi na qualunga vanda acunga pivete grosso cô cumprido qui na máis qui ilôtro vai cumpra na templo di A-Ma na vanda di Barra. Na anôte di pássa ano, nunca chéga méanôte, cáva rufâ jantarada na casa cô tudo su família, azinha logo sâi, vâi ànda bazar di fula-fula comprá fula pâ bóta na casa. Tudo chácha cô vélo-cong sâ nadi pódi ronça rua assi tánto. Lôgo fica pérna azêdo vem quembrâ. Cáva comprâ fula sâ tem qui vâi casa fica ispéra méanote pâ agradecê cô batê-cabeça pâ ilôtro sã santo-santo. Tem qui di tanto sánto-santo. Tánto qui nuncassá tem fim. Sã cadunga sã divoçám.
     Jóvi-jóvi junta rancho cô tudo amui-amui cô amuirona pâ vai templo di A-ma ô Kun-Iam batê-cabêça pedi gráça. Lôgo fazê fila ispéra meanôte templo abri porta pâ unga cifrada corre vâi dentro altar bóta pivete. Ilòtro fála quim bóta primêro sã lôgo panhá máis gráça di santo. Ah, mâs tem china divéra capaz vendê ancuza pâ gánha sapéca. Vende pivete, moinho cò fula gira-gira cò um cento di laia-laia di ancuza pâ dâ sórti. Cáva logô péga na carrêta rámenda gálina-dôda pássa pâ tudo rua-rua di Macau fazê barulho cô un cento di boboriça. Pegádo na acunga pivete grôsso-grôsso cumprido na fora di janela di carrêta déssa cinza vôa cô quimâ pâ tudo vánda. Qui mêdo. Puliça na rua óla tamém nádi fazê ancuza cô chôma pára. Fála sá alegria cô filicidade. Sá divéra, si chuchu agunga pivete na ilòtro sã olô-décu sá lôgo fica divéra filiz chêo di filicidadi. Sã nunca? Cinza acêso vôa pâ tudo vándi quimá. Si nunca cuidado sã lôgo fica qui quimádo. Quelê módo istunga anôte pódi sâi vâi rua? Rua sã nádi vâi. Sã sômente vâi casino pensá gánha sapéca. Casino lôgo azinha cachipiado di genti qui nádi pódi rispira benfêto. Ah, divéra chisti. Na casino sã lôgo iscuta pâ qui di tánto máquista impido cô sentado jugâ qui rávira. Si cára raganhádo sá no mêste prigunta. Certo tâ gánha sapéca. Si besso puxado máis bom sã nébom abri bóca fála ancuza. Lôgo léva unga palavrám qui lôgo fica cára márilo qui na máis. Bulí cô jâmbu sá assi-ia. Quim mánda bóca-tanto prigunta si tâ gánha nunca. Óla cára cô besso puxádo máis bom sã azinha vâi pâ ôtro vanda dâ unga iscuta. Tem fán-tán, dado glu-glu, carta-manila 21 (black-jack), bacará, cô unga nom tem fim di jugatina. Nuncabom isquêce acunga um cento di laia-laia di máquineta puxâ qui vem quembra na mám. Lôgo jugâ qui nuncassá sábi si sã dia si sã anôte. Tem genti ri cacáda qui nádi pára, tem gente geniado qui quêre dáli pâ tudo genti cô nom tem fim di fála “tiu-ná-má” cô “tiu-ná-pá”. Tem genti qui nom tem fim di péga cartám vâi máquina di banco chu-chu número tirá sapéca pâ tórna juga pâ tórna gánha sapéca qui jâ perdê. Tem genti qui lôgo vâi impinha tudo ancuza qui pódi pâ continua jugá. Si tem juizu sã lôgo pára jugá, vâi casa. Si perdê qui ramáta perdê juizu sã lôgo fica ferrado. Logo pidi impresta sapéca pã juga. Cáva fugi tamém nunca pódi. Sá lôgo fica cholido di bem. Divéra gálanti óla pâ tudo istunga ancuza qui tâ sucedê na casino. Fála ano novo china sã assi-ia. Déssa vai-ia. Máis bom sã junta quanto amigo-amiga na casa juga mácheok pássa tempo. Nuncassá juga tiro-grandi. Juga piquinino pássa tempo pódi-ia. Chálassa unchinho boboriça, ri cacáda, buli unchinho unga cô ôtro, quelóra fómi comê bebinga di nabo (ló-pá-cou) com chilimisoy, comê chái (comida di bonzo), comê frito-frito (kok-châi cô chin-tui) pódi-ia. Mais bom sã assi pássa ano novo china. Sossêgado cô amigo-amiga juntado na casa.
      Iou tamém fála Kung-hei, Kung-hei, ganhá tanto sapéca cô desejá saúdi pa tudo genti máquista cô tudo genti cunhecido. Kung-Hei-Fat-Choi, Kung-Hei-Fat-Choi. Nuncassã bom isquêce iou-sa lai-si. Iou soltêro pódi recebe-na.

Carlos Coelho