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ADÉ no Parque dos Poetas em Oeiras

José dos Santos Ferreira – Macau (1919/1993). Popularizado como Adé, nascido e falecido em Macau. Grande parte da vida, dedicou-a à divulgação do dialecto macaense, sendo autor de vasta bibliografia e de récitas, peças de teatro, operetas, etc., que também ensaiava e dirigia.
Durante muitos anos foi colaborador activíssimo de muitos programas de Rádio. Desportista, organizou e dirigiu campeonatos e torneios de diferentes modalidades, foi fundador e dirigente do Hóquei Clube de Macau, Associação de Futebol de Macau e Conselho de Desportos, mais tarde Conselho Provincial de Educação Física, a que presidiu. Colaborou e foi dirigente de várias outras Associações e Clubes Desportivos. Em 1979 foi agraciado pelo Presidente da República Portuguesa com o grau de Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique. O Governador de Macau atribuiu-lhe, em 1984, a Medalha de Mérito Cultural.

"Macau nom-têm
unga porçám di ancuxa,
Máx têm su Primavera,
fila quirida di Naturéxa
Co vento quei faxê mimo,
Fula qui sai cherôso
Co cêu axul"

Escultor:
Carlos Marreiros

Dia de S. José (o Dia do Pai)

JOSÉ
   

O nome José tem origem bíblica.
 

José foi marido da mãe de Jesus.
 

Segundo a tradição cristã, nasceu em Belém da Judeia, no século I a.C. pertencia à tribo de Judá, e era descendente do rei David de Israel. No catolicismo, é considerado um santo e chamado de São José.


A Judeia é uma região que fica a oeste do Mar Morto, entre esse e o Mar Mediterrâneo, estendendo-se a norte até às colinas de Golan e a sul à faixa de Gaza, sendo actualmente regiões em permanente conflito entre Israel e Palestina.


José foi designado por Deus para se casar com a jovem Maria mãe de Jesus, que era uma das consagradas do Templo de Jerusalém, que era o principal local de culto do povo de Israel e passou a morar com ela e sua família em Nazaré, uma localidade da Galileia. Segundo a Bíblia, era carpinteiro de profissão, ofício que teria ensinado a seu filho.


No Novo Testamento, José é uma pessoa discreta, está totalmente em função de Cristo, um homem silencioso e pouco aparece na Bíblia. Não se sabe a data da sua morte, mas presume-se que seja anterior ao início da vida pública de Jesus. Quando Jesus tinha 12 anos, (conforme Evangelho de S.Lucas) José ainda estava vivo, uma vez que todos os anos a família ia anualmente a Jerusalém para a festa da Páscoa.


São José é um dos santos mais populares da Igreja Católica, foi proclamado "protector da Igreja Católica Romana"; "padroeiro dos trabalhadores", pelo seu ofício e, "padroeiro das famílias", pela fidelidade a sua esposa, sendo também padroeiro de muitas igrejas e lugares do mundo.


Em Macau encontramos um Seminário com o seu nome, assim como tantos outros colégios, externatos ou escolas. Em quase todas as famílias existe um elemento de nome “José”.


O significado do nome de José revela, ousadia, espírito competitivo, independência, força de vontade e originalidade.


O “Dia do Pai”, em Portugal, é comemorado a 19 de Março, dia em que a Igreja Católica celebra São José, marido de Maria a mãe de Jesus Cristo, e assim homenagear todos os progenitores paternos. Este dia noutros países é celebrado em diferentes datas. Por exemplo, no Canadá, Estados Unidos, Holanda, Macau e Hong-Kong comemoram no 3º domingo de Junho, no Brasil no 2º domingo de Agosto, na Austrália no 1º domingo de Setembro, na Tailândia a 5 de Dezembro e etc..


Além de Portugal, celebram na mesma data os seguintes países; Angola, Espanha, Itália, Cabo Verde, Andorra, Moçambique, Listenstaine, Guiné-Bissau e Bolívia.


A institucionalização dessa data é recente. Em 1909, nos Estados Unidos, Sonora Louise Smart resolveu criar um dia dedicado aos pais, motivada pela admiração que sentia pelo seu pai que criara sozinho seis filhos com a ajuda da Sonora que tinha 16 anos, quando a sua mãe morreu no parto do sexto filho.


O interesse pela data difundiu-se da cidade de Spokane para o Estado de Washington e daí tornou-se uma festa nacional. Em 1972, o presidente americano, Richard Nixon oficializou o “Dia do Pai”.
MIsabel Machado

José dos Santos Ferreira (Adé)

     José Inocêncio dos Santos Ferreira, mais conhecido por "Adé", dedicou grande parte da sua vida à divulgação do crioulo macaense, o patuá. Entre outras actividades, foi um grande amante do desporto, organizou e dirigiu campeonatos e torneios de diferentes modalidades, foi fundador e dirigente do Hoquei Clube de Macau, Associação de futebol de Macau e Conselho de Desportos.
     Colaborou na generalidade dos jornais portugueses editados em Macau, e ainda no “China Mail” de Hong Kong e na Agência “Associated Press”.      Mas é a sua faceta ligada à divulgação do patuá que nos importa realçar aqui.
     Deixou uma vasta obra composta de poemas, peças de teatro, livros, programas radiofónicos, canções, récitas e operetas em patuá, que também ensaiou e dirigiu.      Macau Sã Assi e Aqui Bobo, com letra de sua autoria, constituem autênticos hinos, cantados nas festas do PCB.
Fotografia: cortesia de António Lobo da Silva

A implantação da República Portuguesa (5 de Outubro de 1910)


    A Implantação da República Portuguesa foi o resultado de um  golpe de estado organizado pelo Partido Republicano Português que, no dia 5 de Outubro de 1910, destituiu a monarquia constitucional e implantou um regime republicano em Portugal.
A subjugação do país aos interesses britânicos, os gastos da família real, o poder da igreja, a instabilidade política e social, o sistema de alternância de dois partidos no poder (os progressistas e os regeneradores), a ditadura de João Franco, a  aparente incapacidade de acompanhar a evolução dos tempos e se adaptar à modernidade - tudo contribuiu para um inexorável processo de erosão da monarquia portuguesa do qual os defensores da República, particularmente o Partido Republicano, souberam tirar o melhor proveito. Por contraponto, o partido republicano apresentava-se como o único que tinha um programa capaz de devolver ao país o prestígio perdido e colocar Portugal na senda do progresso.
Após a relutância do exército em combater os cerca de dois mil soldados e marinheiros revoltosos entre 3 e 4 de Outubro de 1910, a República foi proclamada, às 9 horas da manhã do dia seguinte, da varanda dos Paços de Concelho de Lisboa. Após a revolução, um governo provisório, chefiado por Teófilo Braga, dirigiu os destinos do país até  à aprovação da Constituição Portuguesa de 1911 que deu início à Primeira República, com a eleição de Manuel de Arriaga.
A Constituição de 1911 determinava que o Parlamento era formado pelos deputados eleitos pela população com mais de 21 anos que soubessem ler e escrever ou fossem chefes de família. De 3 em 3 anos, faziam-se novas eleições para o Parlamento.
Competia ao Parlamento, para além de fazer leis, eleger e demitir o Presidente da República que, só depois de tomar posse do cargo podia nomear o seu Governo de acordo com o partido que tivesse maior número de deputados no Parlamento. De acordo com a Constituição de 1911, o Parlamento era o orgão de soberania mais importante.
Entre outras mudanças, com a implantação da República, foram substituídos os símbolos nacionais: o hino nacional e a bandeira (de que falaremos na próxima edição).

Nossa Senhora da Conceição, a Padroeira de Portugal


Nas cortes celebradas em Lisboa no ano de 1646, declarou el-rei D. João IV, primeiro rei da dinastia de Bragança, que tomava a Virgem Nossa Senhora da Conceição por padroeira do Reino de Portugal, prometendo-lhe, em seu nome e no dos seus sucessores, o tributo anual de 50 cruzados de ouro.
Perante a imagem de Nossa Senhora da Conceição, ofereceu Portugal à Mãe Imaculada de Jesus, depondo a coroa real aos pés da Rainha do Céu que, doravante, seria também a Rainha de Portugal. Depois desse grande momento, os reis seus sucessores nunca mais puseram sobre a cabeça a coroa real, depositando-a sobre uma almofada, em ocasiões solenes.
O dogma da Imaculada Conceição foi definido, 200 anos depois,  pelo papa Pio IX, em 8 de Dezembro de 1854, pela bula 'Ineffabilis'.
O acto de coroar Nossa Senhora da Conceição como padroeira de Portugal, entende-se como forma de devoção e agradecimento à Virgem, pela protecção dispensada ao processo que conduziu à Restauração da nossa independência. Tal episódio teve lugar em Vila Viçosa, já que era lá que a casa de Bragança  tinha o seu solar mais importante.
Em 6 de Fevereiro de 1818, o Rei D.João VI concedeu nova benesse ao Santuário, erigindo-o cabeça da nova Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, agradecendo à Padroeira a resistência nacional às invasões francesas.
A Igreja Católica celebra a 8 de Dezembro o dia da Imaculada Conceição de Maria Santíssima. É uma festa que se situa no início do ano litúrgico, Tempo do Advento, iluminando o caminho da Igreja rumo ao Natal do Senhor.
Imaculada Conceição é um dos importantes títulos com que é venerada a Virgem Maria.

Dia de Camões

Não podiamos deixar de recordar Luís de Camões nesta edição de Junho e nada melhor do que apresentarmos excertos do discurso proferido, no dia 10 de Junho de 1968, junto à Gruta de Camões, em Macau, pela nossa colega e amiga Isabel Machado, em representação do Liceu Nacional Infante D. Henrique.

“.... Tratando-se de uma personalidade como a de Camões tão rica na vida interior como na obra por que se exprime e nos legou, nunca será demais debruçarmo-nos sobre ela para melhor a estudarmos e interpretar.

Todos sabemos que Coimbra e Lisboa disputam entre si a honra de terem servido de berço a Luís de Camões. Em que dia? Em que ano? Presume-se que entre 1524 e 1525, mas de concreto nada há quanto ao local e à data do seu nascimento. É esta a primeira incógnita na vida do Príncipe dos Poetas.
Foram seus pais Simão Vaz de Camões e Ana de Sá Macedo. A família de Camões descende de fidalgos galegos e fixou-se em Portugal cerca de 1370.

Camões perdeu a sua mãe, de tenra idade e desde pequenino começou a sofrer maus tratos duma hedionda madrasta. Quem sabe se não foi essa “vil megera” – como ele próprio mais tarde a designa – a causadora da índole insubmissa, do feitio rebelde, do génio indomável mas também da personalidade vincadíssima do nosso primeiro Épico, cujo apodo era o de “Trinca-Fortes” e que tão cedo começou a conhecer as inclemências do destino?

Sobre os seus estudos, concretamente, também pouco se sabe. Nova incógnita na Vida do Poeta ... Julga-se que frequentou cursos em Coimbra onde teria residido até 1542. São tão profundos os conhecimentos que patenteia na sua vasta obra que é difícil atribuí-los a autodidactismo. Estudou de certo na Velha Universidade, da qual seu tio Bento de Camões prior de Santa Cruz era Cancelário.

Coimbra, terra dos seus primeiros amores, das suas Canções, dos olhos verdes e cabelos louros da sua linda prima Isabel Tavares! Coimbra, onde viveu contente e “em paz com sua guerra” ! ...

De ascendência nobre, Camões foi cedo para a Corte de Lisboa mas também aí a sua vida continua envolta nas brumas do mistério.

Teriam sido certas alusões do Auto de El-Rei Selenco condenando veladamente o terceiro casamento do monarca com a noiva destinada a seu filho D. João, ou sua paixão platónica pela formosa Infanta D. Maria, mui erudita e intelectual filha de D. Manuel, as causas que motivaram o seu desterro para Constança? Pouco se sabe ao certo, a não ser que esta paixão sem esperança pela “Ilustre Senhora” deu azo a que Camões escrevesse sonetos maravilhosos ...
Pouco se demora no desterro. Daí parte para Ceuta onde luta heroicamente e perde, numa refrega com os Árabes, o olho direito.

A desgraça também aí o persegue. A saudade dilacera-lhe a alma. O amor mortifica-lhe o coração...


De regresso a Lisboa envolve-se em várias rixas, fere com gravidade um certo Moço da Corte Gonçalo Borges, é preso e só a “Carta de Perdão” de El-Rei D. João III o livra do cárcere mediante o compromisso de Camões “de ir servir para a Índia”. Uma vez em Goa sofre novas decepções porque só lá encontra incompreensão e cobiça desenfreada.

Continua a escrever em todos os géneros poéticos. Leva “numa mão sempre a espada e noutra a pena”.

Após a representação de sua peça “Filodemo” – escrita para as festas de investidura no cargo de Governador de Goa de Francisco Barreto – por causa de certas alusões da obra, crê-se que foi despachado para Macau com a triste função de “Provedor-Mor dos Defuntos e Ausentes”. E aqui, nesta terra que pisamos, neste local sagrado, rezam as crónicas – ou conta-nos a lenda - Camões compôs os sete primeiros cantos do seu glorioso e imortal Poema...
Não cessa de escrever. Poesia da estirpe de Virgílio soube como ele equilibrar no mesmo alto nível o pensamento, a imaginação, a emotividade, tudo caldeando com a sua extraordinária cultura, inteligência e espírito crítico. Daí resultou uma Obra Genial da maior dimensão que ultrapassou todos os limites da moda, da época, de escola e até da própria Nação.

Em 1559 regressa a Goa e naufraga no Rio Mekong, salvando a nado os “Lusíadas”... Nesse naufrágio sofre a dor suprema de perder a sua “ Tin-Nam-Men” uma doce e linda chinesinha que “em seu canto sempre seria celebrada”...

Em 1567 o Cronista Diogo Couto, passando por Lourenço Marques encontra-o “comendo de amigos e retocando os seus “Lusíadas”. Cinco anos mais tarde, já em Lisboa consegue publicar a sua Obra-Prima e EL-Rei D. Sebastião, a quem dedicou o Poema, concedeu-lhe uma tença de quinze mil reis. Fraca tença para tão forte Génio!...

... Expirou a 10 de Junho de 1580, miseravelmente, sem qualquer assistência! Os seus restos mortais, envoltos apenas num grosseiro lençol foram sepultados na Vala Comum à porta do Mosteiro de Santa Ana, em Lisboa...”